Esporte Jornal

Adaptado para incluir, time de futebol de amputados do Democrata enfrenta a AMDA de BH

O futebol de amputados chega como maneira de quebrar barreiras e reafirmar a possibilidade de uma vida sem limitações.

Em exclusiva, o idealizador do projeto em Sete Lagoas, Matheus Tavares, falou sobre superação, quebra de barreiras e os desafios enfrentados.

Atletas amputados de Sete Lagoas e região, agora contam com um espaço para seus treinos. Trata-se da Arena do Jacaré, que iniciou, no final de outubro, um projeto mais que esportivo, inclusivo.

Neste domingo (14), às 10:30, a equipe do Democrata, fará uma apresentação da modalidade em jogo amistoso contra a equipe AMDA (Associação Mineira de Desportos para Amputados) de Belo Horizonte, na Arena do Jacaré.

Sobre participar em competições representando Sete Lagoas, Matheus Tavares, idealizador do time, afirmou ser um sonho com desejo de títulos. “Com toda certeza, este é nosso maior sonho, sejam em competições regionais, nacionais ou até mesmo internacionais, nosso foco é poder competir e trazer a validação que esta modalidade necessita, e quem sabe, trazer algumas medalhas também”, relatou o atleta.

Mesmo recém formada, a equipe de Sete Lagoas participará do Campeonato Mineiro de Futebol de Amputados que tem início no dia 20 deste mês.

Matheus reforçou a necessidade de projetos para acessibilidade. “A acessibilidade é muito precária. Minas Gerais ainda está muito atrás de diversos outros estados brasileiros em questões estruturais, existem outros estados que têm até 6 times de amputados, e todos apoiados e estruturados por grandes times profissionais e bons patrocinadores. A necessidade de uma melhoria na questão estrutural é muito clara, mesmo com o clube Democrata tendo liberado o nome e o espaço, infelizmente não temos nenhum apoio financeiro, e parte da nossa meta neste momento, é poder encontrar patrocinadores e apoiadores para conseguir melhorias estruturais e, quem sabe, trazer incentivo para outros atletas da nossa cidade e regiões próximas”, destacou.

Confira a entrevista com Matheus Tavares, idealizador do projeto em Sete Lagoas na íntegra:

-Como que surgiu essa ideia de montar uma equipe de amputados aqui em Sete Lagoas? Sei que o Democrata abraçou, mas a proposta foi sua?

Bom, dentro do hospital, nos primeiros dias depois do acidente, eu recebi diversos vídeos de atletas, mas dois deles em específico me chamaram mais a atenção. O do Gabriel Feijão, atleta amputado de 17 anos de Betim, e o outro foi o melhor jogador e artilheiro da modalidade ROGERINHO de São Paulo, que joga no Corinthians, que também é brasileiro. O vídeo de ambos me ajudou muito naquele momento tão difícil, já que eu amava jogar bola, e até aquele momento eu achava que essa paixão teria acabado, mas com a mensagem de ambos eu vi que o meu sonho não tinha acabado, aquilo me deu forças de onde eu desconhecia. Aí no momento em que eu conheci ambos eu recebi o convite de Gabriel para conhecer a AMDA (Associação Mineira de Desportos para Amputados) localizada em BH, que até então era o único time de amputados em Minas Gerais, o que dificultava muito a minha locomoção até o local, e a de diversos outros atletas. Então com essa percepção, eu conversei com um amigo, Matheus Amorim, que trabalha no clube Democrata. Durante a nossa conversa surgiu a possibilidade dele me treinar, pensando nisso, expandimos nossa ideia e tivemos uma reunião com o presidente Renato, o técnico do time profissional, com o técnico da AMDA e com um dos nossos atletas da cidade o Edson. Nesta reunião o presidente abraçou a causa e nos trouxe a possibilidade de expandir a nossa ideia e montar um time de amputados aqui em Sete Lagoas, tendo em mente que isso seria uma ação de bem psicológico pra diversas pessoas, e também uma ação que nos ajudaria a economizar muito, já que não teríamos mais que nos locomover para B. Sem falar que teríamos a oportunidade de termos aqui em Sete Lagoas o primeiro time de amputados e deficientes físicos de MG!

-O time levará o nome do Democrata?

Com toda certeza, um dos nossos intuitos e trazer uma maior visibilidade para o clube Democrata, que na minha opinião é um dos pontos mais históricos da nossa cidade, que sempre apoiou diversas pessoas em seus sonhos de se tornarem atletas.

– Quantos atletas já estão treinando aqui? Todos são de Sete Lagoas?

Da nossa cidade temos somente 3 atletas, mas têm vindo outros de regiões próximas. Todos estão muito entusiasmados em participar do nosso projeto, e agora, nosso foco é poder divulgar para atrairmos mais pessoas deficientes a participar da nossa modalidade.

-A seleção Brasileira de futebol de amputados brilha em todo mundo e é uma referência. O time aqui de Sete Lagoas tem intenção de participar de competições grandes, sejam estaduais, nacionais e internacionais?

Com toda certeza, esse é nosso maior sonho, sejam em competições regionais, nacionais ou até mesmo internacionais. Nosso foco é poder competir e trazer a validação que esta modalidade necessita e, quem sabe, trazer algumas medalhas também (risos).

-Acessibilidade nas cidades ainda é algo precário e que precisa ser tratado com mais atenção pelo poder público. No esporte, para o time de amputados, é necessário uma estrutura muito diferente da já existente nos campos e estádios?

Sim, a acessibilidade é muito precária. Minas Gerais ainda está muito atrás de diversos outros estados brasileiros em questões estruturais, existem outros estados que têm até 6 times de amputados, e todos apoiados e estruturados por grandes times profissionais e bons patrocinadores. A necessidade de uma melhoria na questão estrutural é muito clara, mesmo com o clube Democrata tendo liberado o nome e o espaço, infelizmente não temos nenhum apoio financeiro, e parte da nossa meta neste momento, é poder encontrar patrocinadores e apoiadores para conseguir melhorias estruturais e, quem sabe, trazer incentivo para outros atletas da nossa cidade e regiões próximas.

-Existe muito preconceito para com essa inclusão dos amputados no futebol?

Infelizmente sim! É nítido isso quando comparamos com times de atletas não amputados, que recebem uma visibilidade enorme, são bem estruturados e têm bastantes patrocinadores. Entendo que o preconceito faz parte da nossa sociedade, e também faz parte do meio esportivo, mas é neste futebol que não só eu, mas diversos outros atletas encontram refúgio de todo este preconceito. Também é neste futebol que nós encontramos uma razão pra continuar seguindo nossas vidas. Este futebol nos ajuda a quebrar barreiras, mostrando que podemos ter uma vida normal depois uma fatalidade, fazendo o que ama e tendo uma vida normal.

-Patrocínios e apoios, onde os empresários podem contactar para ajudar?

Comigo através das redes sociais , Instagram: @theusim11,  facebook.com/matheus.tavares.39142, através da diretoria do Democrata, ou pelo WhatsApp: (31) 99811-8303. 

. Espero que com esta entrevista possamos ter apresentado um pouco do nosso projeto que está apenas começando. Tenham a certeza de que, tendo um pequeno apoio de alguns patrocinadores, amigos e empresários, a nossa jornada estará apenas no início, e todos que apoiarem serão sempre lembrados e terão seus nomes levados conosco. Lembrem-se, o céu é o limite e a união transforma o mundo.

Da Redação

Barbara Dias

Barbara Dias

Jornalista com especialização em publicidade e marketing, coordenadora do Portal Sete, editora chefe do Jornal Hoje Cidade e assina o programa Tarde Viva na Rádio Eldorado AM 1300

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Alvaro Vilaça

Alvaro Vilaça

Jornalista, radialista, âncora do programa Tempo Esportivo na TV Sete Lagoas e diretor de programação da Rádio Eldorado AM1300

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Jornalista com especialização em publicidade e marketing, coordenadora do Portal Sete, editora chefe do Jornal Hoje Cidade e assina o programa Tarde Viva na Rádio Eldorado AM 1300

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Arnaldo Martins

Arnaldo Martins

Colunista do Hoje Cidade a mais de 20 anos, formado em Assistente de Administração de Empresas, funcionário público.

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