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Hospital Alberto Cavalcanti investe no atendimento humanizado para amenizar sofrimento dos pacientes

Divulgação / Fhemig

Localizada em Belo Horizonte, unidade da Fhemig é especializada em oncologia e faz quase 2 mil cirurgias por ano

Promover ações de humanização dentro do hospital significa olhar para o paciente sob uma perspectiva mais integrada e completa, levando em conta seus sentimentos e não apenas as questões clínicas relacionadas à sua doença. Pensando nisso, a equipe do Hospital Alberto Cavalcanti (HAC), referência no atendimento a doenças oncológicas e onde são realizadas quase 2 mil cirurgias por ano, desenvolve várias iniciativas para que este momento difícil e de tantas incertezas seja vivido da forma mais amena possível.

Para a coordenadora de enfermagem e da equipe multidisciplinar da Diretoria Assistencial da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), Aline Cândido de Almeida Pinto Mendes, a relação interpessoal entre a equipe e o paciente é o momento mais importante da assistência. “Essa proximidade contribui para uma maior adesão às propostas de tratamentos”, afirma.

Acolhimento

O afeto proporcionado pelas ações de humanização já pode ser sentido pelas pacientes diagnosticadas com câncer de mama desde a chegada ao hospital, quando elas recebem uma almofada em formato de coração, confeccionadas pela ONG “Costurando o Bem”. “Além da função terapêutica, garantindo conforto e apoio ao braço após o esvaziamento axilar, a almofada representa acolhimento. É uma maneira carinhosa de receber as pacientes que estão iniciando o seu tratamento”, explica a coordenadora do Ambulatório de Especialidades do HAC, Cíntia Esteves Soares.

No Brasil, o câncer de mama é a neoplasia maligna mais comum entre as mulheres, atingindo apenas 1% dos homens. De acordo com a coordenadora, as consequências deste tipo de câncer ultrapassam os abalos físicos, envolvendo também os fatores psicossociais, desde o diagnóstico da doença até o seu tratamento. Além disso, as mamas estão diretamente relacionadas à feminilidade e à sexualidade da mulher, e a doença causa grande impacto na autoestima, na autoimagem e nas relações interpessoais

“Buscamos promover a autoestima, sensibilizando sobre os cuidados com pacientes oncológicas e humanizando o processo terapêutico. Acreditamos que a mulher que obtém auxílio da equipe e do serviço como um todo, para além do seu estado físico, tende a tornar-se mais otimista e perseverante no enfrentamento à doença”, avalia Cíntia.

Autoestima

O Projeto de Prótese Mamária Temporária, também em parceria com a ONG “Costurando o Bem”, é outra forma de tentar fortalecer o estado emocional dessas mulheres. A prótese, feita de almofada em formato de mama, é destinada a pacientes que foram submetidas à mastectomia total (retirada completa da mama) e ainda não podem fazer a cirurgia de reconstrução do seio. “Ela visa garantir o bem-estar físico e, sobretudo, fortalecer a confiança e a aceitação ao tratamento, impactando no seu prognóstico de forma positiva”, explica Cíntia Soares.

A paciente R.S.R., que prefere não se identificar, foi uma das que recebeu a prótese e faz uso até hoje, já que preferiu não realizar a cirurgia para colocação da definitiva. “Faço uso dela há dois anos. A melhor coisa foi ter recebido essa prótese provisória. Foi muito bom para a minha autoestima. Adaptamos no bojo do sutiã e ninguém percebe, além de poder molhar e ser muito leve, diferente de outras provisórias que existem, como as de silicone e alpiste, que eu usei antes de receber essa do hospital. Foi uma ótima idéia”, elogia.

Também com o objetivo de ajudar na autoestima e fornecer soluções provisórias foi criado o serviço de empréstimo de perucas. Em parceria com o Hospital Luxemburgo, o projeto é voltado para pacientes que tiveram perda total dos cabelos em decorrência do tratamento de quimioterapia. “Recebemos, diariamente, doação de mechas de cabelo, que são encaminhadas para confecção de novas perucas”, conta Cíntia.

Por ano, são emprestadas cerca de 50 perucas. A intenção é valorizar a feminilidade das pacientes em tratamento de câncer. “Após a perda do cabelo, a mulher se sente frágil, e com as perucas conseguimos resgatar um pouco da sua autoestima. Ajuda a superar a doença com mais leveza e naturalidade”, afirma a coordenadora.

Música

Por meio da música, o enfermeiro Marlúcio de Souza também leva conforto aos leitos do Hospital Alberto Cavalcanti. As visitas são sempre aos fins de semana, quando os plantões estão mais tranquilos, proporcionando alegria aos pacientes internados, seja nas enfermarias ou no CTI.

“Passamos em todos os leitos, exceto nos de isolamento respiratório. A equipe assistencial se contagia e faz coro com a gente. Saímos de lá nutridos de uma energia afetuosa imensurável. Cantamos e tocamos de tudo: sertanejo, músicas religiosas, canções em inglês. Mas uma das mais pedidas é ‘Boate Azul’”, conta. “Saber que por alguns instantes os pacientes conseguem esquecer um pouco do momento difícil que estão passando é maravilhoso”, afirma o enfermeiro.

Emerson Dorval de Melo pôde comprovar o benefício da música em momentos como este. Internado quatro vezes no HAC, foram, ao todo, mais de 60 dias, entre CTI e enfermaria, em decorrência de uma diverticulite que acabou revelando um tumor. “Estou vivo hoje graças a Deus e ao atendimento que recebi lá. O Marlúcio foi um anjo. A música dele ajudava a levantar meu astral, mesmo no momento em que eu estava debilitado física e emocionalmente”, conta.

“Quando a gente fica internado, como no meu caso em que passei por cirurgias de alto risco e de recuperação lenta, há momentos de descrença, ansiedade e depressão. Precisamos de apoio, de ouvir palavras otimistas e, nesses momentos, a música me descontraía muito, me trazia alívio. Eu cantava junto e o tempo passava mais rápido”, relata o ex-paciente.

Denair Melo, irmã de Emerson, o acompanhou durante todo o tratamento e só tem elogios à iniciativa. “Eu podia notar o brilho nos olhos dele. É muito emocionante ver uma pessoa hospitalizada cantarolando, entre risos e lágrimas, sentir a esperança renascendo nela. A música é como um remédio. É um momento de afago nos pacientes, ajuda a sair da rotina hospitalar. Nos dava mais força e coragem para enfrentarmos o que viesse”, relata.

Celebração

A música também faz parte do Projeto Feliz Aniversário, que leva alegria a quem está completando mais um ano de vida durante a internação. “Temos sempre muitos retornos positivos dos pacientes e seus familiares. É uma satisfação não só para eles como também para os servidores que integram a Comissão de Humanização e participam da homenagem. Estamos ressignificando o cuidar, olhando para o paciente além da doença, valorizando a sua história e os seus sentimentos”, explica a enfermeira responsável pelo Serviço de Cuidados Paliativos do HAC, Liliane Santos Silva.

Segundo ela, a comemoração inclui um bolo falso, possibilitando uma celebração segura já que a maioria dos pacientes está com dieta restrita, uma mensagem individualizada e alguns mimos entregues ao aniversariante, que são doados por uma servidora.

A mãe da Victoria Esther Allan Lopes e Costa, que estava em tratamento paliativo na unidade, recebeu a homenagem, que emociona a filha até hoje. “Sempre sonhei em celebrar os 60 anos da minha mãe com uma festa em um sítio. Mas, infelizmente, em decorrência de uma metástase, alguns anos após o tratamento de um câncer do intestino, ela teve uma piora e acabou sendo internada no dia do seu aniversário. Comentei com a equipe do hospital e, minutos depois, elas voltaram com bolo, cartão e presente, cantando parabéns. Foi uma grande surpresa! Um ato de muito carinho e afeto da equipe. Minha mãe já estava bastante debilitada e quase não falava mais, mas pude ver a gratidão nos olhos dela. Não estávamos com a nossa família, mas senti que fomos acolhidos pela família do Alberto Cavalcanti. Me senti muito amparada. Foi um momento muito marcante, já que uma semana depois minha mãe acabou falecendo. Guardo até hoje o presente que ela ganhou, como recordação”, diz.

Doação

Os interessados em doar cabelo para confecção de perucas podem entregar a mecha no Ambulatório de Especialidades do Hospital Alberto Cavalcanti (HAC). É necessário que o cabelo esteja preso em um elástico e tenha, no mínimo, 20 centímetros de comprimento.

Fonte: Agência Minas

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Alvaro Vilaça

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Jornalista, radialista, âncora do programa Tempo Esportivo na TV Sete Lagoas e diretor de programação da Rádio Eldorado AM1300

Redação Redação

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Arnaldo Martins

Arnaldo Martins

Colunista do Hoje Cidade a mais de 20 anos, formado em Assistente de Administração de Empresas, funcionário público.

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